PROJETOS

Carnavalização de um homem só (em processo) – Grupo Desvio

MisanthrofreakCarnavalização de um homem só é um processo interdisciplinar entre teatro, arte visual, cinema e novas tecnologias para a criação do novo projeto do Grupo Desvio de Brasília.

A criação está sendo desenvolvida pelo performer e diretor Rodrigo Fischer em Nova Iorque por meio de uma séria de residências artísticas, pela pesquisa de pós-doutorado no Departamento Performance Studies da New York University e por meio de coproduções a serem definidas com três ou quatro diferentes países, priorizando uma do Brasil, uma da América do Norte, uma da Europa e uma da Ásia ou África.

Inspirado no romance Memórias do Subsolo de Fiódor Dostoiévski, a proposta é de investigar quem seria a pessoa do subsolo atualmente. Considerando o contexto social, político, cultural e psicológico que ele/a vive, quem seria? Como a cidade afeta seu comportamento e como suas atitudes afetam a cidade? O pano de fundo é a cidade e a obra mostrará a cidade por uma perspectiva subterrânea, apresentando múltiplos pontos de vista. “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos”, Marcel Proust.

Formalmente, a criação se aproximará da ideia desenvolvida durante o último trabalho solo de Rodrigo Fischer chamado Misanthrofreak, na qual a transição entre o espaço teatral e cinematográfico ocorre a partir da interação com novas tecnologias. Esse conceito significa a incorporação e controle da luz, do som, da câmera e das projeções pelo ator dentro da performance.

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O projeto está sendo desenvolvido com uma estrutura flexível na qual situações, atmosferas, histórias, e imagens coletadas nas cidades integrarão a narrativa. Dessa maneira, o projeto mudará toda vez que for apresentada numa nova cidade, mantendo o núcleo e conceito da proposta. A ideia é que o diretor e ator Rodrigo Fischer chegue na cidade onde será apresentado o trabalho com pelo menos 15 dias de antecedência para investigar o lugar, conhecer pessoas imersas no universo subterrâneo e assim produzir o conteúdo audiovisual e narrativo da proposta.

O projeto terá duas principais ações. A primeira é uma versão teatral combinada com uma vídeo-instalação, na qual os espectadores da peça poderão visitar antes da apresentação. A segunda é uma ação mais performativa, integrando no evento o conceito de performance e festividade. O espaço alternativo pode ser uma arquitetura abandonada, uma galeria de arte, um espaço clandestino ou qualquer espaço que traga a ideia e atmosfera subterrânea (underground). Esse evento pretende anular qualquer fronteira entre um encontro social-festivo e performance, na qual a plateia estará imersa dentro da performance, podendo não apenas contemplar a performance, mas dançar, comer, beber e principalmente fazer parte da performance. A estrutura dessa ação está em desenvolvimento e será aprimorada ao longo das residências, mas existem algumas ideias já encaminhadas, como a possibilidade de resgatar e unificar o conceito de ritual, festa e carnaval a partir da condução do performer que assumirá nessa ação a função também de VJ e DJ com resgate de referências afro-brasileiras.

A fim de facilitar a correlação do projeto com a cidade e as pessoas na qual o mesmo está sendo realizado, serão trabalhadas, considerando a perspectiva subterrânea, principalmente três abordagens: as pessoas e artistas locais; a cidade e sua arquitetura; e materiais e objetos encontrados na cidade.

Existem infinitas possibilidades de integrar o material coletado e a comunidade local no projeto. Por exemplo, pretende-se treinar dois atores ou não-atores para participar das apresentações; os objetos usado serão encontrados nas ruas e serão resinificados em cena ou mesmo na instalação, sendo apropriados como objetos artísticos, inspirando nos readymades de Duchamp ou nos objetos artísticos de Arthur Bispo do Rosário; o material audiovisual será feito numa parceria com um cineasta local; os quadros usados como cenário serão criados por um artista de rua da cidade; uma parte da dramaturgia será reescrita a partir do contágio do performer com a comunidade local e com a cidade.

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Os Fracassados (2015) – Grupo Desvio

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Os Fracassados, o mais recente trabalho do Grupo Desvio, conta a história de quatro amigos que se encontram após uma aparente tragédia. Embriagados em suas memórias, vivem uma jornada rumo ao que realmente importa. Fracassar não seria apenas um ponto de vista? Junto ao texto, projeções e música executada ao vivo pelos atores suscitam diálogos entre tempos e espaços múltiplos. Qual o lugar do homem nessa história?

Dirigido por Rodrigo Fischer, a obra apresenta memórias factuais e fictícias que se misturam em diálogos fugazes, onde personagens e intérpretes possuem a mesma identidade e nome: César, Fernando, Gil e Márcio. Os quatro amigos em cena parecem viver limiares: entre a cena e o real, entre a vida e a morte, entre um discurso palpável e a fuga desse próprio discurso, entre o improviso e o ensaiado, entre o passado, o presente e o futuro.

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Fotografias de Diego Bresani

Os Fracassados (2015) from Rodrigo Fischer on Vimeo.

Direção: Rodrigo Fischer

Dramaturgia: Gil Roberto

Elenco: César Lignelli, Fernando Gutiérrez, Gil Roberto e Márcio Minervino

Figurino: Eduardo Barón

Cenário: Ricardo Baseggio

Direção Musical: César Lignelli

Programação e video mapping: Fernando Gutiérrez

Filmagem: Adriano Kakazu e Adriano Roza

Edição: Adriano Roza

Iluminação: Rodrigo Fischer

Fotografia: Diego Bresani

Produção: Diana Diniz Marra

Designer gráfico: Isabella Veloso

Portfolio 

Projeto

2+2=2 (2015) – Akhmeteli Theatre

O projeto 2+2=2 nasce a partir de um convite da Akhmeteli Theatre de Tbilisi-Geórgia ao diretor brasiliense Rodrigo Fischer para dirigir a nova produção do teatro. O espetáculo, que é cooproduzido pelo Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, estreiou em Tbilisi no dia 07 de Março de 2015 com sucesso unânime de crítica e de público, sendo considerado o melhor trabalho dos últimos anos na Geórgia.  Um trabalho que, a partir do intercâmbio com o diretor Rodrigo Fischer se caracterizou como um modo de expressão que alia a belíssima tradição musical da Geórgia e o talento de seus atores com um teatro performativo-cinematográfico, característica dos últimos trabalhos do diretor. A estreia no Brasil aconteceu dentro da programação do Cena Contemporânea em agosto do mesmo ano. O resultado é um trabalho que une uma dramaturgia performativa de depoimentos pessoais dos atores com rastros ficcionais; o contraste da música tradicional polifônica da Geórgia aliada ao rock contemporâneo; a apropriação do audiovisual em cena e suas possíveis multiplicações cénicas; e um questionamento aparentemente absurdo, quando o ator-personagem Gigi questiona sua identidade e decide virar um gato.

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2+2=2_Theater (2015) from Rodrigo Fischer on Vimeo.

Produção: Akhmeteli Theater

Cooprodução: Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília

Direção: Rodrigo Fischer;

Elenco: Andria Gvelesiani, Sophia Sebiskveradze, Gigi Migriauli e Giorgi Tskhadadze

Dramaturgia: Antonin Marto em processo colaborativo com atores e diretor

Cenário e figurino: Marika Kvachadze

Assistente de direção: Andria Gvelesiani

Video Designer: Fernando Gutiérrez e Rodrigo Fischer

Iluminação: Rodrigo Fischer

Trilha Sonora original: Andria Gvelesiani e Giorgi Tskhadadze

Filmagem e edição dos videos: Archill Kukhianidze e Rodrigo Fischer

Projeto

Misanthrofreak (2014) – Grupo Desvio

Estreado em Nova Iorque, apresentado em cinco países e premiado como melhor espetáculo de teatro de 2014 em Brasília pelo Prêmio Sesc de Teatro Candango, Misanthrofreak é um espetáculo teatral do Grupo Desvio que aborda o fracasso, o erro e a dificuldade de tomar decisões de forma poética e lúdica. Um solo “performático-pop-clown-multimídia” que transita entre o espaço cênico e o espaço cinematográfico, por meio da interação com tecnologias que permitem a manipulação da cena em diversas instâncias pelo próprio ator que controla luz, som, projeção, sensores e câmeras por um controle de wii nas mãos.

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Fotos de Humberto Araújo e Diego Bresani

Teaser Misanthrofreak from Rodrigo Fischer on Vimeo.

Misanthrofreak_Theater (2014) from Rodrigo Fischer on Vimeo.

Direção, atuação, texto, som e desenho de luz: Rodrigo Fischer

Desenho de vídeo e animação: Brent Felker e Fernando Gutiérrez

Produção e Figurino: Diana Diniz

Cineastas: Peter Azen e Juliano Chiquetto

Portfolio

Projeto

Workshop: Atuação entre o teatro e o cinema: a

performatividade do instante

Por meio da técnica Meisner de atuação e sua atualização dentro do contexto do teatro performativo,  a oficina pretende fundamentar importantes características técnicas para o ator nessa fronteira teatro-cinema. Serão aprimoradas habilidades como escuta, impulso, resposta e reação espontânea, além de desenvolver um estado de presença que permita a efetivação do gesto dentro de circunstâncias imaginárias. A partir de exercícios práticos e improvisações, será introduzido assim, o conceito de estado de devir: aquele que prioriza a potência do silêncio, do mistério, das micropercepções e da ambigüidade no instante. O desenvolvimento  de tais conceitos  pretendem permitir que o ator identifique seu próprio caminho para performar no palco e também mediado por uma câmera.  A ênfase na performatividade é o ponto de encontro entre o teatro e o cinema. O cineasta John Cassavetes é a grande inspiração para essa busca.

Esse workshop, fruto da pesquisa de doutorado do diretor Rodrigo Fischer, já foi realizado no Brasil, Espanha, Bielorússia e Geórgia.

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Release Oficina

Workshop: O cinema de John Cassavetes  e o espaço para o

ator-criador

A partir da apreciação de procedimentos e particularidades do cinema de John Cassavetes, o curso objetiva analisar a relação ética, técnica e prática entre o diretor e o ator no âmbito da linguagem cinematográfica. A análise de algumas sequências de seus filmes permitirá compreender a concretude estética de seus processos de criação. Será abordado também as especificidades de outras metodologias de direção de atores e suas aproximações/distancias com o trabalho de Cassavetes.

O cinema de Cassavetes, com toda sua radicalidade e inventividade de linguagem, sempre foi, acima de muitas coisas, um cinema fundamentado no trabalho de ator. A poesia de seu cinema se concentrava na possibilidade do ator transgredir sua função de interpretar/representar um texto e se apresentar como produtor de um discurso que pode ser utilizado como material dramatúrgico, fílmico, ideológico ou estético para a obra. A obra de Cassavetes reflete os princípios daquele cinema que prioriza armazenar o tempo de cada plano, possibilitando assim  a efetivação do gestus afetivo do ator como potência na obra.

Release Oficina